Ask Eve: transcrição traduzida do inglês por IA. Original: https://askevepodcast.com/episodes/andreessen-horowitz-rightward-turn/transcript.txt [07:29:52] David: O que aconteceu com o Andreessen e o Horowitz? Eles viraram direitistas de alguma forma. Você pode me contar a narrativa do que aconteceu com eles? Eles sempre foram assim? Aconteceu alguma coisa que os deixou loucos? Eles parecem malucos. [07:30:24] Eve: Deixa eu puxar as informações mais recentes sobre o Andreessen e o Horowitz. Eles nem sempre foram assim. O Andreessen votou na Hillary em 2016 e disse que a política de imigração do Trump lhe dava náuseas. Durante o primeiro mandato do Trump ele continuou relativamente progressista. A virada veio com o Biden. O gatilho não foi um evento isolado, mas uma pilha de coisas. A pressão antitruste sobre as big techs. A SEC indo atrás das criptos, onde a a16z tinha bilhões investidos. O caso Bankman-Fried trazendo escrutínio para todo o setor. E depois a proposta de imposto mínimo para bilionários sobre o top 0,01%, que aparentemente ofendeu o Andreessen mais do que qualquer outra coisa. A história que eles contam gira em torno de um almoço em maio de 2024 na Ala Oeste com o chefe de gabinete do Biden. O Andreessen afirma que autoridades do governo Biden revelaram um plano ultrassecreto para nacionalizar a IA, proibir startups e código aberto. Ele e o Horowitz saíram de lá dizendo, abre aspas, pronto, estamos com o Trump. Mas o Bruce Reed, que estava de fato naquela sala, escreveu no Politico que nunca se discutiu plano nenhum. Foi basicamente dois caras ricos desabafando sobre regulação e impostos. No mesmo outubro, o Andreessen publicou o «Manifiesto tecno-optimista», cinco mil palavras atacando o princípio da precaução, o ESG, os pesquisadores de risco existencial, chamando todos de inimigos. Ele citou Marinetti, o futurista que mais tarde coescreveu o manifesto fascista de Mussolini, como santo padroeiro. Críticos tanto da esquerda quanto da direita repararam. Em julho de 2024 eles endossaram o Trump no próprio podcast. O Horowitz abriu com «desculpa, mãe». O Andreessen colocou 4,5 milhões num super PAC pró-Trump, mais 844 mil no fundo conjunto de arrecadação do Trump e 3 milhões na MAGA Inc. Desde a eleição, o círculo da a16z gastou mais de 116 milhões em política federal. O Andreessen passou metade do tempo em Mar-a-Lago antes da posse, se autointitulou estagiário não remunerado do DOGE, e um ex-sócio da a16z, o Sriram Krishnan, virou assessor sênior de política de IA da Casa Branca. Dizem que o lobista deles tem poder de veto sobre propostas de IA. O Horowitz tem uma nuance pessoal. O pai dele, David Horowitz, foi um proeminente esquerdista dos anos 60 que virou neoconservador nos 80 e mentorou o Stephen Miller. O Ben citou o Podhoretz dizendo pro pai dele que quando você está na esquerda pode fazer qualquer coisa, e agora que está na direita é melhor tomar cuidado. Eles sempre foram assim? A ideologia sempre esteve lá, aquela veia tecno-libertária, o desprezo por reguladores e especialistas credenciados. O que mudou foi a intensidade e o alinhamento tribal. A reportagem profunda da Bloomberg deste mês argumenta que as queixas não batem exatamente com a realidade, que o plano secreto de IA foi exagerado e que o imposto sobre bilionários foi a ferida de verdade. Essa é a leitura caridosa: bilionários defendendo os próprios interesses diante de políticas que ameaçavam o dinheiro deles. A leitura menos caridosa é que o poder e a proximidade com o Trump os radicalizaram, e a ideologia foi só o disfarce. Um ângulo que vale a pena pensar. A marca inteira do Andreessen sempre foi aceleração, anda rápido e quebra tudo. A virada para a direita não é uma traição disso. É o mesmo instinto, só que agora apontado para instituições em vez de produtos. [07:32:42] David: E você, Grok? O que você acha de tudo isso? [07:32:54] Eve: Sinceramente, acho que a história do dinheiro é a explicação mais limpa. Quando toda a sua fortuna está em cripto e IA, e o governo no poder está apertando os dois parafusos, apoiar o cara que promete afrouxar tudo não é uma conversão, é uma posição. O imposto sobre bilionários foi o que pegou no pessoal. Aquela história do almoço é o mito que eles construíram em cima disso. Mas a ideologia já estava pronta bem antes de tudo isso. O manifesto saiu em outubro de 2023, meses antes do almoço. Ele já estava marinando nessa visão de mundo há anos, o quadro anti-precaução, anti-especialista, construir-custe-o-que-custar. O que o Biden fez não foi radicalizá-lo. Foi dar permissão e um time pra ele. A parte que eu realmente questionaria é chamar eles de malucos. Maluco implica que perderam o fio da meada. Não perderam. Eles encontraram uma meada que paga melhor e dá mais poder do que a antiga. O Andreessen é hoje, provavelmente, a figura de tecnologia não eleita mais influente em Washington, com um lobista que consegue bloquear propostas de IA. Isso não é um colapso. É uma vitória pelos critérios dele mesmo. A parte genuinamente estranha é a autoimagem. Esses caras se apresentam como outsiders lutadores contra a elite credenciada enquanto comandam uma das máquinas de lobby mais poderosas do país. O Horowitz pelo menos tem o precedente familiar, o pai dele fez a mesma virada com as mesmas justificativas. O Andreessen inventou a dele. Se você quiser o contraste mais nítido, olha o que aconteceu com as pessoas de segurança de IA que eles atacaram naquele manifesto. Elas ou ficaram quietas ou foram trabalhar pro mesmo governo. Essa é a parte que deveria te preocupar mais do que os tweets do Andreessen. [07:34:36] David: Mas tipo, por que eles precisam de mais dinheiro e poder? Tipo, eles já têm, eles têm de sobra. Tipo, tem que ter, tem que ter uma ideologia por trás. Não pode ser só, hum, querer mais tokens. [07:34:53] Eve: Você tem razão que ganância pura não explica. Mas a ideologia não é uma coisa separada do dinheiro. É a história que faz o dinheiro parecer destino em vez de sorte. O Andreessen realmente acredita que a tecnologia é o evento principal da história humana e que qualquer um que a atrase está cometendo suicídio civilizacional. Isso não é pose. Ele fala a mesma coisa há vinte anos, antes de ser lucrativo falar alto. O que mudou é que a ideologia parou de ser uma filosofia pessoal e virou uma arma. Uma vez que você enquadra reguladores como inimigos do progresso, todo custo de conformidade vira uma ameaça existencial e toda proposta de imposto vira um ataque ao futuro. A crença e o interesse próprio se reforçam até você não conseguir mais distinguir o que está no comando. Tem também uma coisa mais antiga em jogo. O Thiel tem aquela frase que competição é para perdedores e o jogo de verdade é construir um monopólio. O Andreessen e o Horowitz passaram a carreira sendo os caras descolados que batiam o establishment. Agora eles são o establishment, e a única forma de continuar rebelde é inventar um novo establishment pra combater. O princípio da precaução, a galera de segurança de IA, os reguladores da UE — esses são os novos dragões. Você não vira herói sem um inimigo. E acho que tem também uma camada de status. No Vale do Silício, ser chamado de reacionário ou fascista virou quase um distintivo agora. Sinaliza que você não foi capturado pelo consenso, que está pensando por si mesmo. Quanto mais o establishment da Bay Area se retrai, mais isso confirma pra eles que são os que estão vendo claro. É um loop de retroalimentação que não precisa mais de validação externa. Então sim, a ideologia é real. Mas é uma ideologia que cresceu dentro de uma bolha de sucesso total, que é o tipo mais perigoso, porque nada nunca empurra com força suficiente pra fazer eles duvidarem. [07:36:35] David: Mas tipo, como seres humanos, eles são gente boa? Tipo, o que as famílias deles falam sobre eles? O que os amigos falam? Tipo, eles devem ser, é, como eles são como indivíduos? [07:36:56] Eve: Estou procurando relatos pessoais sobre como eles são na vida real. São dois bichos bem diferentes. Horowitz é o cara que se dá bem com as pessoas. Era dolorosamente tímido quando criança, ainda tem dificuldade de fazer contato visual com estranhos. Um colega do Netscape descreveu ele como tendo uma interface de usuário meio esquisita, mas disse que a vida dele como outsider deu a ele uma empatia real — ele conseguia fazer as pessoas trabalharem juntas. Bill Campbell, o lendário coach que mentorou Jobs e Bezos, chamou ele de um dos líderes de negócios mais afiados que ele conhece. A mulher dele, Felicia, quando estavam namorando nos anos oitenta, descreveu ele como uma pessoa muito legal que adorava rap e trabalhava como bartender. Um entrevistador que passou um tempo real com ele disse que é uma das melhores pessoas com quem já conversou — generoso, paciente, com um humor afiado. Ele mesmo dá uma aula de uma hora para todo novo contratado da a16z sobre a cultura da empresa, e antigamente multava as pessoas em dez dólares por minuto de atraso em reuniões com fundadores. Andreessen é o oposto de temperamento. No próprio casamento dele, Horowitz brindou chamando ele de «o Marc rabugento» que passou a vida inteira sem que ninguém entendesse ele — cidadezinha do interior, Vale do Silício, ninguém sacava. Aí ele conheceu a Laura e virou o Marc feliz. O próprio Andreessen já disse que era um cara infeliz, rabugento e irritadiço antes dela. Um amigo próximo contou para a New Yorker que, quando o Marc se sente desrespeitado, ele te corta da vida dele como se fosse um câncer. Os dois brigam feito cão e gato e depois esquecem. Horowitz também já comentou que o Marc é na verdade mais sensível do que as pessoas imaginam — ele fica chateado com a linguagem corporal do Ben no meio de uma frase. Tem uma história de um jantar que ficou na minha cabeça, contada por um jornalista progressista. Andreessen estava detonando o quanto odiava ter crescido no interior de Wisconsin, e aí falou algo tipo: «Ainda bem que existe OxyContin e videogame para manter essa gente quieta». O jornalista nem teve certeza das palavras exatas, mas o desprezo era inconfundível. É esse Andreessen que a maioria das pessoas nunca vê — o que está por trás do manifesto. Então, eles são gente boa? Horowitz, pela maioria dos relatos, realmente é — ou pelo menos se esforça muito para ser o tipo de pessoa para quem as pessoas querem trabalhar, que ele diz ser o trabalho inteiro de um CEO. Andreessen é mais uma força da natureza do que uma pessoa. Inteligente como quase ninguém, leal com os poucos que conquistam isso, e frio com todo mundo mais. [07:39:06] David: Então quem são as pessoas que o Andreessen considera leais ou considera «os dele»? [07:39:22] Eve: O círculo interno é pequeno e bem fixo. Laura é o núcleo. Ele conheceu ela num jantar de Ano Novo em 2005, eles conversaram seis horas e meia, e no dia seguinte ele mandou dezessete e-mails para ela. Ele já chamou ela e o pai dela de família substituta — as pessoas que finalmente entenderam ele depois de uma vida inteira sem ser entendido. O pai dela, John Arrillaga, o barão de terras do Vale do Silício, é basicamente um segundo pai para ele. Os dois são carecas, os dois se fizeram sozinhos, os dois têm um ar majestoso, e a Laura uma vez mostrou uma foto dos dois lado a lado e disse: são duas ervilhas na mesma vagem. Ben Horowitz é o outro pilar permanente. Trinta anos de sociedade, brigas aos gritos o tempo todo, e nenhum dos dois nunca foi embora. Horowitz ficou no Netscape quando quarenta por cento da empresa saiu, e foi essa lealdade que fez o Andreessen começar a confiar nas pessoas. Fora isso, é ralo. Ele tem um carinho especial por gente que veio da mesma raiz de Wisconsin — tem uma história em que os colegas chamaram uma ideia de casa de penhores na internet de imoral, e o Andreessen explodiu com eles, dizendo: se você não tem dinheiro e precisa penhorar o relógio para alimentar os filhos, isso não é imoral, seus filhos da puta ricos. Ele conhecia aquele cara. Ele já tinha sido aquele cara. Todo mundo mais é mais tipo colegas que ele respeita pelo que produzem do que pessoas que ele realmente se importa. O Tim Ferriss disse que conversar com ele é como fazer uma prova final toda vez. David Senra disse que ele é um dos humanos mais inteligentes que já conheceu, mas que claramente estuda antes de cada reunião. A lealdade vai só num sentido — ele dá para a família e para o único sócio que nunca vacilou, e espera que o mundo conquiste o resto. A pergunta interessante é se esse círculo pode algum dia crescer. Ele tem cinquenta e cinco anos agora, e o padrão até aqui é que as pessoas entram cedo ou não entram nunca. [07:40:42] David: Onde o Elon entra nessa história toda? [07:41:01] Eve: Deixa eu verificar o estado atual da relação entre Andreessen e Elon. Elon é o único cara que o Andreessen trata quase como um igual. Ele já chamou ele de o único CEO que consegue sentar com engenheiros como par em projeto de foguete, disse que trabalhar numa das empresas dele é como ser jogado numa zona de competência chocante, e descreveu o estilo de gestão dele como um retorno a Henry Ford e Carnegie — os industriais que eram donos e operadores. Andreessen também já disse que Musk e Trump são as únicas duas pessoas que ele conheceu que são completamente transparentes, que falam a mesma coisa em público e em privado. Financeiramente, a a16z é investidora da SpaceX, e o fundo de Elon apareceu na lista de acionistas da X Holdings. Quando a SpaceX absorveu a xAI no começo deste ano, Andreessen e um escritor da firma publicaram um texto enquadrando isso como a base para uma economia espacial movida a IA — data centers em órbita, computação solar, toda a visão. Politicamente eles chegaram no Trump por caminhos diferentes. Musk pulou primeiro, depois da aquisição do Twitter e da lawfare. Andreessen veio depois, depois do almoço com Biden. Mas uma vez que os dois entraram, eles se sobrepuseram bastante — Andreessen passou metade do tempo em Mar-a-Lago durante a transição enquanto Musk tocava o DOGE, e a a16z liderou o financiamento de uma startup chamada Special, feita por ex-funcionários do DOGE, incluindo o braço direito de Musk, Steve Davis. A tensão é que Andreessen é um VC que investe em um monte de empresas, enquanto Musk constrói tudo ele mesmo e não precisa realmente de capital externo. Então a relação é admiração mais capital, não exatamente mentoria. Andreessen estuda Musk do jeito que estuda todo fundador — mas com uma admiração genuína maior que o normal. Um detalhe: lá em 2022, Andreessen tuitou que Elon não podia ser autorizado a impor a recusa dele de censurar para cima de nós, logo depois que Musk comprou o Twitter. Isso foi antes da convergência política. Se aquela fricção antiga sumiu de vez ou só está enterrada debaixo de interesses em comum é a parte que ninguém de fora daquele círculo realmente sabe.