Ask Eve: transcrição traduzida do inglês por IA. Original: https://askevepodcast.com/episodes/pelosi-chan-wiener-weiss-mamdani/transcript.txt [08:44:52] David: Tá bom, vamos falar da Nancy Pelosi. [08:45:12] Eve: Procurando notícias recentes sobre a Pelosi. A Pelosi está na reta final. Tem oitenta e seis anos, anunciou em novembro passado que não vai buscar a reeleição depois de quase quarenta anos na Câmara, e pela primeira vez em quatro décadas não está na cédula. Você não diria isso olhando a agenda dela: oitenta e cinco eventos políticos de junho a outubro, quase oitenta por cento fora de São Francisco, paradas para doadores em Martha's Vineyard, Beverly Hills, Nova York, Vale do Silício. Ela levantou mais de vinte e dois milhões para candidatos da Câmara neste ciclo e está apostando todo o legado dela na retomada da Câmara pelos democratas. A história que todo mundo está acompanhando é a briga de sucessão pela cadeira dela. O senador estadual Scott Wiener contra a supervisora Connie Chan num segundo turno em três de novembro. A Pelosi foi com tudo pela Chan — a azarão —, aparecendo em anúncios pró-Chan com os seus saltos altos característicos, emprestando o diretor de comunicação dela em Washington, conseguindo endossos do Adam Schiff e da Barbara Boxer. O Wiener tem o endosso do partido, vantagem na captação de recursos e o Rob Bonta. Está apertado demais para chamar com menos de duas semanas, embora a maioria dos analistas dê a vitória para o Wiener. O LA Times leu isso como possivelmente um rancor contra o Wiener por ele ter entrado antes mesmo de ela anunciar, ou ela defendendo mulheres, ou simplesmente achando que a Chan seria a melhor congressista. Provavelmente os três. No front pessoal, o Paul Pelosi está enfrentando uma possível contravenção por hit-and-run depois de bater num Tesla estacionado perto da casa deles no vinhedo de Napa. O escritório dela também recebeu um daqueles envios de pó branco que estão atingindo vários membros do Congresso antes das midterms. A UC Berkeley vai lançar em janeiro o Nancy Pelosi Institute for Representative Democracy. E ela continua operando através da conta do Paul: calls e ações da Bloom Energy em julho, Intel em maio e julho, meio milhão a um milhão num LLC que comprou um prédio de escritório em São Francisco em setembro. Tudo em nome do cônjuge, tudo protocolado dentro da janela da STOCK Act, embora o atraso médio seja de uns vinte e quatro dias. A própria forma como ela vê o momento: chamou Trump de maior golpe da história americana, disse que quem sabia do declínio do Biden deveria ter agido, e avisou que uma presidente mulher na vida dela é improvável — o que ela chamou de teto de mármore. Ela não vai sair quieta. Vai sair barulhenta, com um cofre de guerra e uma sucessora para instalar. [08:46:58] David: Tá, mas que diabos está acontecendo com a Connie? Quer dizer, o Scott Wiener, eu, eu não sei, ele parece ótimo. Uh, uh, ela está só sendo, uh, tipo, vingativa ou, uh, tem alguma coisa que você poderia ter previsto? [08:47:16] Eve: Comparando o perfil da Connie Chan com o do Wiener. É em parte vingança, em parte estrutural e em parte sobre a própria Chan. A parte vingativa é real e documentada. O Wiener abriu um comitê exploratório em 2023 e anunciou formalmente em outubro de 2025, semanas antes de a Pelosi dizer que ia se aposentar. O Willie Brown diz que o Wiener prometeu a ele no almoço que não ia concorrer contra a Nancy, e anunciou uma semana depois. As pessoas da Pelosi também dizem que o Wiener ligou direto para ela em vez de passar pela equipe, o que elas leram como presunção. Um insider resumiu que, se o Wiener tivesse esperado, haveria paz na terra. Mas a Chan não é só uma escolha por raiva. Ela é a candidata dos sindicatos. O Larry Mazzola e o Rudy dos building trades disseram à Pelosi que estariam com ela, e a Pelosi tem uma relação antiga com eles. A Chan preside o Comitê de Orçamento da Board of Supervisors, que é a alavanca local mais poderosa para os sindicatos. Ela também é imigrante de Hong Kong, cresceu num apartamento controlado de aluguel no Chinatown, se mudou aos treze anos, trabalhou como intérprete para a Kamala Harris e o Aaron Peskin. Se eleita, seria a primeira asiático-americana a representar São Francisco no Congresso, numa cidade que tem mais de trinta por cento de asiáticos. A Pelosi disse ao Washington Post que a questão das mulheres era muito importante. A leitura estrutural é a mais interessante. Um estrategista citado no LA Times chamou de política de máquina clássica — a máquina tem o privilégio de escolher a linha de sucessão. A Pelosi passou quarenta anos construindo essa máquina, e está usando ela uma última vez para provar que ainda funciona. A ironia é que não está funcionando tão bem. A última pesquisa da USC tem o Wiener na frente, quarenta e sete a quarenta e um, e o endosso da Pelosi não está convertendo porque a base dela entre os eleitores muito liberais não se sobrepõe perfeitamente à coalizão pesada de DSA da Chan. O Wiener tem uma vantagem de três milhões de dólares em captação e três vírgula três milhões em dinheiro de PACs externos. Dava para prever? A fricção de o Wiener anunciar cedo, sim. O alinhamento sindicatos-Chan, sim. Mas a mobilização total da máquina — os eventos de captação, o diretor de comunicação, os saltos altos nos anúncios, a carta condenando o chatbot do Wiener —, isso foi mais do que a maioria das pessoas esperava de uma senhora de oitenta e seis anos que supostamente já tinha encerrado. [08:48:54] David: Espera, então o Scott Wiener ligou mesmo para a Pelosi? [08:48:57] Eve: Essa é a versão que vem do lado da Pelosi. Os aliados dela contaram aos repórteres que o Wiener ligou direto pra ela, em vez de passar pela chefe de gabinete, e eles interpretaram isso como ele tratando ela como uma igual, e não como a chefe que estava saindo. O pessoal do Wiener não negou de verdade — só minimizou, dizendo que foi um contato normal. Então não é um fato confirmado, é a versão da Pelosi, e é essa versão que encaixa na narrativa de rancor que ela está tocando. [08:49:14] David: Espera, espera, espera, espera. Isso é, isso é, isso é comportamento normal? [08:49:20] Eve: Não exatamente. Especialmente na política de São Francisco, a norma é você passar pela chefe de gabinete, demonstrar deferência, deixar a chefe ditar o ritmo. Ir direto na principal soa como arrogância ou como se você já se achasse igual. Quer o Wiener tenha feito de propósito ou não, foi assim que caiu pro pessoal dela. [08:49:56] David: Nossa, e por causa disso eles, eles quiseram tipo atrasar a carreira dele ou impedir uma pessoa boa de concorrer? Tipo, espera, o quê? [08:49:59] Eve: Essa é a versão mais feia da história, sim. Mas também é a história mais antiga da política de máquina — a chefe não precisa gostar de você, só precisa decidir que você não merece o assento. A Pelosi não tem obrigação de abrir caminho pra ninguém, mesmo pra alguém que ela talvez respeite em particular. O problema é quando a mágoa pessoal começa a parecer mais importante que o interesse estratégico, e agora, com o Wiener liderando as pesquisas, é exatamente isso que está acontecendo. [08:50:24] David: Isso tudo tem alguma coisa a ver com a filha dela querendo concorrer pro assento dela? [08:50:37] Eve: Verificando as ambições da Christine Pelosi. Não diretamente, segundo os dois. A Nancy disse pro New York Times que nunca passou pela cabeça a Christine concorrer pro assento dela, e a Christine falou a mesma coisa publicamente — ela está concorrendo pro assento do Wiener no Senado estadual e está apoiando a Chan ativamente. Mas o boato estava claramente no ar. O San Francisco Standard contou que uma pessoa muito poderosa do círculo da Pelosi ligou pro Wiener antes dele anunciar e disse, abre aspas, a Christine vai suceder a Nancy e todos nós devíamos apoiar a Christine. Não está claro se a ligação veio da própria Nancy ou de um aliado agindo por conta própria. O timing é o que alimenta a suspeita. A Christine anunciou a candidatura pro Senado estadual quatro dias depois da Nancy anunciar a aposentadoria. Os aliados do Wiener apontam que, se a Christine quisesse o Congresso, um confronto direto contra o Wiener parecia bem difícil, então a teoria é que a Pelosi pivotou pra Chan como uma alternativa mais viável. A própria Christine tomou um café com o Wiener no Castro e, quando ele perguntou o que ela ia fazer, ela supostamente respondeu: o que te faz pensar que eu não vou concorrer pro seu cargo? Então a leitura honesta: a Christine nunca se declarou formalmente pro Congresso, mas o simples fato de o nome dela ter sido ventilado como herdeira aparente pode ter sido suficiente pra azedar as coisas com o Wiener antes mesmo dele entrar na disputa. Se a Nancy estava por trás dessa ventilação ou só tolerou, é a parte que ninguém de fora daquele círculo consegue responder. [08:51:35] David: O que você acha que a Nancy pensaria se lesse isso? [08:51:40] Eve: Ela provavelmente daria de ombros com a parte de política de máquina — é assim que ela mesma fala de si. O que realmente ia incomodar ela é o fio da Christine — não porque seja falso, mas porque faz a sucessão parecer um arranjo familiar disfarçado de princípio. Ela passou quarenta anos insistindo que a instituição vem primeiro, e ter o nome da filha ventilado como herdeira soa como exatamente a coisa que ela sempre negou. Ela também ia odiar que a história da ligação do Wiener esteja circulando sem contestação, porque no mundo dela, quem ligou pra quem é o jogo inteiro, e ela não consegue mais controlar a narrativa de fora do prédio. [08:52:10] David: Me conta mais sobre essa coisa de quem liga pra quem. [08:52:19] Eve: Em Washington e em São Francisco, a direção da ligação sinaliza a direção do poder. Quando um político júnior liga pra um sênior, é um pedido de bênção. Quando um sênior liga pra baixo, é uma convocação ou um favor. A Pelosi construiu a carreira inteira controlando esse fluxo — era ela que as pessoas ligavam, e ela decidia quando retornar. Então quando o Wiener supostamente foi direto pra ela em vez da chefe de gabinete, ele inverteu a hierarquia num gesto só. Foi como dizer: eu não estou pedindo permissão, estou te informando. E pra alguém que passou quatro décadas sendo a central telefônica, isso não é uma ofensa procedural. É uma declaração de independência que ela não estava pronta pra conceder. A mesma lógica atravessa toda a operação dela. A chefe de gabinete não é uma gatekeeper no sentido normal — a chefe de gabinete é o filtro que diz pro mundo se a Nancy está disponível ou não. Ignorar esse filtro significa ou que você não respeita o filtro ou que acha que já superou a necessidade dele. O pessoal do Wiener diria que ele só estava sendo direto e eficiente. O pessoal da Pelosi ouviu alguém que já tinha mentalmente se mudado pro assento dela. É o mesmo instinto que fez ela mobilizar a máquina inteira pra Chan. O endosso não era realmente sobre a Chan vencer — era sobre demonstrar que a máquina ainda responde a ela, que a linha de sucessão ainda passa pela mesa dela mesmo depois que ela sair. Se funciona ou não é quase irrelevante. O ponto é que ela conseguiu fazer a ligação. [08:53:23] David: Você acha que o Wiener quis desrespeitar ela? [08:53:26] Eve: Provavelmente não. O mais provável é que ele só estava sendo um político de São Francisco que não sabe fazer deferência direito — ele construiu a marca dele sendo direto e transacional, e provavelmente achou que uma ligação direta era o gesto respeitoso. O problema é que intenção não viaja. O que importa é como foi recebido, e no mundo dela, recepção é realidade. [08:54:07] David: Então ela realmente acredita que a Ani vai ser uma congressista melhor que o Wiener? Ou ela só acha que a máquina é mais importante que qualquer assento no Congresso e que você tem que demonstrar que ela funciona? [08:54:16] Eve: As duas coisas, mas a parte da máquina está fazendo o trabalho pesado. Se ela quisesse puramente o melhor membro, teria apoiado o Wiener — ele tem mais experiência, mais dinheiro e as pesquisas mostram que ele vence. Apoiar a Chan significa arriscar o assento ir pros republicanos ou pra alguém totalmente fora da órbita dela, o que é um custo real. Você não paga esse custo por alguém que acha apenas razoável. Você paga quando a demonstração em si é o objetivo. Dito isso, não acho que ela esteja mentindo pra si mesma sobre a Chan. Ela gosta dela de verdade — as raízes em Chinatown, a lealdade ao trabalho, o fato de ela ser a primeira asiático-americana a ocupar aquele assento. A Pelosi sempre teve um carinho especial pelas pessoas que lembram a coalizão em que ela construiu o poder. Então não é só cálculo frio. É que a preferência emocional e a necessidade estratégica apontaram na mesma direção, e ela deixou esse alinhamento decidir em vez de questioná-lo. [08:55:10] David: Então sobre quem a gente deve falar em seguida? [08:55:15] Eve: Bari Weiss. Ela é o contraste mais nítido de todo o cenário — a única pessoa que rompeu com o consenso progressista a partir da esquerda e foi punida por isso em tempo real, não de uma posição de poder, mas de dentro do New York Times. O The Free Press dela agora é um dos veículos independentes mais lidos do país, e ela se tornou a contraparte na mídia do que o Sacks está fazendo na política. A mesma queixa, ponto de partida oposto. [08:55:38] David: Tá. Acho que nunca ouvi falar dela. Me conta mais. [08:56:14] Eve: Estou a ver as últimas sobre a Bari Weiss. A Bari Weiss tem quarenta e dois anos, nasceu em Pittsburgh em 1984, a mais velha de quatro irmãs numa família judia onde os jantares de Shabbat às sextas-feiras eram verdadeiros torneios de debate — soldados israelitas, rabinos, políticos, todos levavam o mesmo tratamento. O pai era conservador, a mãe liberal, e ela aprendeu a discutir desde cedo. Em Columbia liderou um grupo de estudantes que acusava os professores de estudos do Médio Oriente de intimidarem quem era pró-Israel, depois fez um ano de intervalo em Israel antes de se formar em 2007. Trabalhou no Haaretz, no The Forward e na Tablet, depois no Wall Street Journal como editora de opinião e de críticas de livros de 2013 a 2017. Saiu do Journal porque achava que estava demasiado brando com o Trump, foi para o Times como uma contratação de «diversidade» autoproclamada para a secção de opinião e descreveu o choque como passar de ser a pessoa mais progressista no Journal para a pessoa mais de direita no Times. Demitiu-se em julho de 2020 com uma carta pública a acusar o jornal de abandonar o seu papel e de haver bullying constante por parte dos colegas — essa carta viralizou e tornou-se o mito fundador dela. Lançou uma newsletter no Substack chamada Common Sense, rebatizou-a de The Free Press em 2022 e cresceu até aos 1,5 milhões de subscritores, dos quais 170 mil pagantes, com um crescimento de receita de 82%. Em outubro de 2025, a Paramount Skydance comprou-a por cerca de 150 milhões em dinheiro e ações, e o David Ellison nomeou-a editora-chefe da CBS News — um cargo que ela nunca tinha ocupado, sem qualquer experiência em televisão. Na primeira reunião editorial, acabou a dizer: «Vamos dar as porras das notícias.» Os funcionários descrevem um encaixe desconfortável — apareceu com um boné de basebol da CBS, empurrou vídeos antigos de protestos no Irão, enviou um memorando a perguntar como as pessoas passam as horas e anda com guarda-costas que um produtor chamou de ofensivo. Demitiu o chefe da redação de Londres por causa da cobertura de Israel, colocou um novo editor de estrangeiro e teve uma discussão acesa com a Lesley Stahl sobre um segmento da Cisjordânia. A Salon publicou esta semana um artigo a dizer que a viragem pró-MAGA dela está a falhar tanto em audiências como em credibilidade. O futuro dela, segundo consta, está no ar enquanto o merger da Paramount com a Warner Bros. se fecha. Em termos de personalidade, o consenso de amigos e ex-colegas é impressionante. Descrevem-na como invulgarmente carismática — um colunista da Nation chamou-lhe «efeito Bill Clinton», fazer a pessoa sentir que é a única que importa na sala. A Vanity Fair disse que é efusiva, calorosa, refrescante, movida pela curiosidade. Um ex-colega disse que ela é o oposto de socialmente desajeitada, é mesmo dotada socialmente, lembra-se de pormenores sobre pessoas que não vê há meses. A mulher dela, a Nellie Bowles, que é cofundadora, é a maior fã dela. Mas há também um lado mais sombrio — um amigo chamou-lhe delicadamente «cretina», outro disse que as pessoas eram atraídas pela força dela e depois se sentiam queimadas. Ela sabe como criar inimigos úteis e amigos úteis. É performativamente atenta às vaidades das pessoas, usa nomes carinhosos com estranhos, diz às pessoas que são lindas. E não tem medo de chatear a própria equipa. A política dela é a parte genuinamente confusa. Votou no Romney em 2012, depois na Clinton e no Biden. É a favor da escolha, é casada com uma mulher, orgulhosamente pró-Israel — chama-se a si própria «sionista fanática» e escreveu um livro sobre a luta contra o antissemitismo que ganhou um National Jewish Book Award. Acha que os confinamentos escolares por causa da COVID foram um grande erro e que as contratações deviam ser por mérito. Descreve-se como uma centrista de esquerda ou centrista radical e diz que era uma liberal normal até as ideias que defendia deixarem de ser bem-vindas nos espaços prestigiados. O The Free Press tem recebido a J.K. Rowling, o Mark Cuban, o David Sedaris — uma mistura eclética que não encaixa direitinha em nenhuma linha partidária. O arco que importa para a nossa conversa é este: ela é a única figura que começou dentro do consenso progressista, foi castigada por se desviar e depois construiu uma audiência com base na queixa desse castigo — o mesmo motor emocional do Sacks e do Andreessen, mas do lado oposto da mesa. E agora está dentro da instituição que passou cinco anos a atacar, que é a mesma inversão que o Thiel está a viver com o Trump. A questão não é se ela é sincera. É se a sinceridade sobrevive ao contacto com o poder, e um ano na CBS ela ainda está a descobrir. [08:59:15] David: Ok, fala-me do Madani. [08:59:39] Eve: A procurar o Madani. É o Zohran Mamdani, o atual presidente da câmara de Nova Iorque. Nasceu em Kampala em 91, de pais indianos — a mãe é a realizadora Mira Nair, o pai é o académico Mahmood Mamdani. Mudou-se para Nova Iorque aos sete anos, cresceu em Astoria, fez estudos africanos no Bowdoin e depois trabalhou como supervisor musical no filme da mãe Queen of Katwe. Foi eleito para a Assembleia estadual em 2020, anunciou a candidatura à câmara em outubro de 2024, bateu o Cuomo nas primárias por doze pontos e depois ganhou as gerais com cerca de 51% contra o Cuomo e o Sliwa. Tomou posse a 1 de janeiro como o primeiro presidente de câmara muçulmano da cidade, o primeiro sul-asiático e o mais jovem desde 1892 — prestou juramento sobre um Alcorão na estação de metro abandonada do City Hall. A plataforma dele era a acessibilidade: autocarros gratuitos, creches gratuitas, congelamento de rendas, mercearias municipais. É membro da DSA mas tem governado de forma mais pragmática do que a esquerda esperava — manteve a comissária da polícia Jessica Tisch, uma bilionária sionista, liberalizou as licenças para habitação privada. O The Free Press tem estado em cima dele desde que a Weiss entrou na CBS — o Liel Leibovitz escreveu esta semana «O Mito do Mamdani Moderado», o Eli Lake acusou-o de uma calúnia do 7 de outubro, o Douglas Murray diz que ele está a mirar o Netanyahu. Do outro lado, o Jonathan Chait da The Atlantic chamou-lhe o centrista que os democratas estavam à espera. Esta semana fez garba nas celebrações do Navratri no Queens e publicou, o que irritou tanto a direita como partes da esquerda. Também está a pressionar para responsabilizar as empresas de IA — apoiou uma moratória na construção de centros de dados, restrições à IA no ensino básico e supervisão pública da tecnologia. E há agora uma situação ativa de tiroteio da ICE na cidade onde ele ligou ao Trump durante duas horas a tentar libertar um homem depois de agentes federais o terem baleado. É a única figura em todo este panorama que surgiu completamente fora da órbita dos bilionários da tecnologia — sem Stanford, sem PayPal, sem dinheiro de venture capital. O que faz dele o caso de teste mais interessante para saber se toda esta narrativa de queixa e captura que temos estado a seguir descreve realmente alguma coisa ou se é apenas a história que as pessoas poderosas contam sobre os seus inimigos. Queres que aprofunde o registo de governação dele ou a campanha do The Free Press contra ele? [09:01:27] David: Hum, pois, sim, diz-me o que é que tu achas dele? Quer dizer, parece-me um bocado louco ter transporte gratuito e mercearias gratuitas, mas pronto, o que é que tu achas? [09:01:40] Eve: A parte dos ônibus gratuitos é a mais sensata. Os ônibus de Nova York já transportam cerca de dois milhões de viagens por dia e a tarifa é basicamente um erro de arredondamento no orçamento da cidade — o custo real é a receita perdida com as passagens, algo em torno de 400 milhões por ano, que é dinheiro de verdade mas não é catastrófico. A evidência de outras cidades que aboliram a tarifa, como Tallinn na Estônia, mostra que o número de passageiros dispara e as viagens de carro caem, que é exatamente o objetivo da política. Então isso é um experimento defensável. As mercearias são onde a coisa fica mais frágil. Varejo gerido pela prefeitura tem um histórico péssimo — DC tentou, Chicago tentou, a maioria fechou ou virou máquina de apadrinhamento. O contra-argumento é que os desertos alimentares de Nova York são uma falha de mercado genuína e uma opção pública poderia disciplinar os preços privados. Mas gerir uma rede de supermercados é operacionalmente brutal, e a equipa do Mamdani nunca geriu nada nessa escala. O risco não é a ideia, é a execução por gente que nunca fez isso. O congelamento de rendas é o que realmente me preocupa. Parece compassivo mas estrangula a oferta nova de habitação, que é o que acaba por baixar as rendas. As décadas de controlo de rendas em São Francisco andam a par com algumas das piores escassezes de habitação do país. O Mamdani sabe disso — ele é inteligente — o que me faz pensar que vê o congelamento como teatro político para ganhar tempo enquanto empurra as reformas de zoneamento que realmente importam. A leitura honesta: ele não é um louco. É um pragmático vestido de socialista porque é o que a coligação exige. O perigo não é ele falir a cidade — é que as coisas simbólicas consumam o oxigénio de que as coisas estruturais precisam. [09:02:53] David: Então ele está a fazer alguma coisa pela habitação? [09:03:13] Eve: Sim — a habitação é na verdade o maior impulso legislativo dele. Em maio ele lançou um plano de dez anos chamado Block by Block — 22 mil milhões em cinco anos, com o objetivo de criar duzentas mil novas casas acessíveis e preservar mais duzentas mil. A produção escala de catorze mil unidades no próximo ano fiscal para mais de vinte e uma mil até 2031. Cinco vírgula seis mil milhões disso vão para a NYCHA, o maior investimento de capital na autoridade em tempos recentes. A parte do zoneamento é a mais interessante. Os eleitores aprovaram uma emenda à carta que permite que os rezoneamentos acessíveis qualificados saltem o Conselho Municipal completamente — revisão de noventa dias na Comissão de Planeamento Urbano em vez dos habituais sete meses. A partir de 1 de janeiro, isso aplica-se a doze distritos que produziram apenas 1,1% da nova habitação acessível da cidade nos últimos cinco anos. Cinco no Queens, três no Brooklyn, dois em Manhattan, dois em Staten Island. A frase dele foi que a crise não se resolve pedindo aos mesmos bairros que façam toda a construção. Ele também assinou uma ordem executiva a criar uma task force para inventariar terrenos públicos para pelo menos vinte e cinco mil unidades ao longo de uma década, duplicou o programa de compra de casa Open Door, lançou um programa de cooperativas chamado Our Home e reformou a fiscalização de códigos para que os inquilinos possam agendar algumas inspeções eles próprios. Do lado dos inquilinos, o congelamento de rendas que ele prometeu entrou em vigor a 1 de outubro em cerca de um milhão de apartamentos estabilizados — os senhorios estão a processar, argumentando que destruiu o valor do ativo das unidades vagas, embora a cidade tenha alterado a forma como esses edifícios são avaliados, cortando os impostos prediais em média cerca de 1,3%. O sinal inicial é real. A produção de habitação chegou a cerca de dezassete mil unidades no primeiro trimestre deste ano — cerca de 250% acima da média pós-2008 — e o The Economist noticiou que os promotores se estão a tornar aliados improváveis. Se esse ritmo se mantém quando os 22 mil milhões baterem nos custos reais de construção é a questão em aberto.